quarta-feira, 31 de agosto de 2016


Direita e Esquerda: uma falsa dicotomia política
Por Erick Ferreira


Ser de direita é, -- como ser de esquerda --,
Uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil
José Ortega Y Gasset.


                        Um terrível espectro assombra o mundo politico, e deles ninguém escapa. Ou se é de direita ou de esquerda. Não há como fugir deste rotulo, embora se perceba que a maioria dos que se proclamam de esquerda ou de direita não fazem a mínima ideia do real significado deste binômio; e nem há como saber, visto que seu significado é uma verdadeira “metamorfose ambulante”, que não poucas vezes, muda de sentido sem que seus adeptos o percebam. O que é esquerda hoje pode ser direita amanhã, esta tem sido a constante sina desta dicotomia.
Em suma, percebe-se que desde o nascimento deste binômio, -- há mais de dois séculos no cenário revolucionário francês --, ele tem sido extremamente traiçoeiro. Embora, alguns digam que há necessidade de se utilizar estes termos, visto o mundo político sofrer inevitável polarização. O problema está no fato de que esta dicotomia é extremamente confusa e traiçoeira, como insisto afirmar. Um exemplo disso se observa no seguinte fato: Conservadores são considerados de direita, e ao mesmo tempo o são também os liberais, embora, estes dois divirjam radicalmente em diversos pontos fulcrais. Por serem diametralmente opostos e ao mesmo tempo classificados dentro do mesmo espectro político (Direita); liberais e conservadores podem ser classificados respectivamente como a esquerda e a direita dentro da Direita. Percebeu como esta dicotomia é confusa? Por esta confusão, numerosos autores denunciaram este espectro, entre eles, Ortega Y Gasset, José Osvaldo de Meira Penna, Gustavo Corção e outros.

No Brasil Imperial, a direita era representada pelo Partido Conservador, mas dentro do próprio Partido Conservador, se erguia a esquerda que viria a sufoca-lo um dia, e tomar o seu lugar. Com o fim do Partido Conservador, triunfa o Partido Liberal na política, e com a ausênccia de uma "direita", a esquerda torna-se o único espectro político no Brasil, e dentro dela já se travava a mesma divisão que veio sepultar o Partido Conservador. 
Com a divisão interna do Partido Liberal, emergiram novos partidos que iriam perpetuar a velha dicotomia (direita e esquerda) na política brasileira até a atualidade.

Assim tem sido a politica-ideológica no país. À medida que o jogo avança e se radicaliza, as posições mudam continuamente. Quem era a esquerda ontem, no amanhã torna-se a direita.  
Só há uma conclusão possível para este jogo confuso: “Direita ou Esquerda é uma falsa dicotomia político-ideológico da qual ninguém pode escapar, mas que todos devem evitar”.


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