Direita e Esquerda: uma
falsa dicotomia política
Por
Erick Ferreira
Ser
de direita é, -- como ser de esquerda --,
Uma
das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil
José Ortega Y
Gasset.
Um terrível espectro assombra o mundo politico,
e deles ninguém escapa. Ou se é de direita ou de esquerda. Não há como fugir deste
rotulo, embora se perceba que a maioria dos que se proclamam de esquerda ou de direita não fazem a mínima ideia do real significado deste binômio;
e nem há como saber, visto que seu significado é uma verdadeira “metamorfose ambulante”,
que não poucas vezes, muda de sentido sem que seus adeptos o percebam. O que é esquerda hoje pode ser direita amanhã, esta tem sido a
constante sina desta dicotomia.
Em suma, percebe-se que
desde o nascimento deste binômio, -- há mais de dois séculos no cenário
revolucionário francês --, ele tem sido extremamente traiçoeiro. Embora, alguns
digam que há necessidade de se utilizar estes termos, visto o mundo político sofrer
inevitável polarização. O problema está no fato de que esta dicotomia é
extremamente confusa e traiçoeira, como insisto afirmar. Um exemplo disso se
observa no seguinte fato: Conservadores são considerados de direita, e ao mesmo
tempo o são também os liberais, embora, estes dois divirjam radicalmente em
diversos pontos fulcrais. Por serem diametralmente opostos e ao mesmo tempo
classificados dentro do mesmo espectro político (Direita); liberais e
conservadores podem ser classificados respectivamente como a esquerda e a
direita dentro da Direita. Percebeu como esta dicotomia é confusa? Por esta
confusão, numerosos autores denunciaram este espectro, entre eles, Ortega Y
Gasset, José Osvaldo de Meira Penna, Gustavo Corção e outros.
No Brasil Imperial, a direita
era representada pelo Partido Conservador, mas dentro do próprio Partido
Conservador, se erguia a esquerda que viria a sufoca-lo um dia, e tomar o seu lugar. Com o fim do Partido Conservador, triunfa o Partido Liberal na
política, e com a ausênccia de uma "direita", a esquerda torna-se o único espectro político no Brasil, e dentro dela já se travava a mesma divisão que veio sepultar o Partido
Conservador.
Com a divisão interna do Partido Liberal, emergiram novos
partidos que iriam perpetuar a velha dicotomia (direita e esquerda) na política
brasileira até a atualidade.
Assim tem sido a
politica-ideológica no país. À medida que o jogo avança e se radicaliza, as
posições mudam continuamente. Quem era a esquerda
ontem, no amanhã torna-se a direita.
Só há uma conclusão
possível para este jogo confuso: “Direita ou Esquerda é uma falsa dicotomia
político-ideológico da qual ninguém pode escapar, mas que todos devem evitar”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário